Bloqueio do Escritor

9 de novembro de 2010

Olá galera... Passando pra da uma atualizada nas coisas... Finalmente iniciei os momentos finais de Demônios em Alcantú e como essa cabeça não para já estou com um projeto rodando a todo o vampor em minha mente, implorando pra sai e ganha vida no papel. Estou tentando me organizar entre os trabalhos e provas finais da faculdade ( que estão me matando!), o serviço, meu livros pra ler (e são muitos) e os meus escritos... Se tudo der certo até final de novembro D.A. estará concluido e eu inicio os novos trabalhos que pretendo concluir até o inicio de Fevereiro....
No post de hoje eu quero falar de um mal que assombra não só nós os escritores, mas a todos que de alguma forma precisão expressar suas idéias por meio da escrita... O bloqueio do escritor, com certeza é a pior coisa que existe. Eu sei que as pessoas muitas vezes tem uma imagem cômica do bloqueio de escritor, com o pobre diabo se descabelando noite adentro em frente a uma folha em branco. Mas ele existe e pra mim é pior que dor física, mais humilhante que brochar. Acredite, é ruim demais.
Como evitar o bloqueio? Para começo de conversa, existem diversos níveis de bloqueios. O mais conhecido é aquele que incapacita o escritor, porém existe também a sensação de que tudo o que você escreve é ruim ou de que o escritor nunca criará nada tão bom quanto antes. Esse último, inclusive, foi um dos motivos que levou Hemingway a arrebentar a própria cabeça com uma espingarda, então não subestimem os acessos mais leves. Mas diferenças à parte, o tratamento é semelhante.
Já fugi demais do assunto. Seguem algumas dicas de como enfrentar esse mal.


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1 – Vá viver a vida: Ficar bloqueado por um dia ou dois não é problema. Saia com amigos, assista um filme, faça sexo, leia um livro, vá ao teatro. Qualquer coisa que você gosta pode ajudar a clarear a cuca. Boa parte das vezes só isso já resolve.
2 – Desconecte-se: Vivemos em uma época com muitas distrações que se tornam uma fonte rica de desculpas para não enfrentar a desagradável sensação que o bloqueio dá. Esqueça que existe TV, MSN, Orkut, Twitter, celular. E escrever é escrever, não pesquisar informações para textos na internet.
3 – Disciplina: É bom se acostumar a ser a mãezona chata de si mesmo também. Eu, por exemplo, só me permito jogar no computador depois que escrevi (ou tentei) a minha cota de tempo pretendida para o dia. Só posso ir brincar depois que terminei a lição de casa. É difícil, mas vale a pena aprender a dizer não pra criancinha mimada que a gente é no fundo.
4 – Use o seu “tempo morto”: Você não está escrevendo só quando a sua bunda se encontra com a cadeira. Você pode pensar sobre seus textos qualquer momento que o seu cérebro não está engajado em uma tarefa complexa. Sabe aquelas duas horas perdidas no ônibus todo dia? Escreva. Caso você fique enjoado com facilidade, o que é muito comum, apenas pense. Simplesmente pense em sua história, que quando a bunda de fato se conectar com a cadeira você não vai precisar começar do zero.
5 – Tenha uma rotina: Estipule um horário para escrever todos os dias, nem que seja por meia hora depois do trabalho ou antes de começar a sua aula. O seu cérebro acaba entrando no “modo escritor” mais facilmente. E não venha com esse de “não ter tempo” que meia hora de sono a menos não mata ninguém.
6 – Puxe ferro: Qualquer forma de exercício serve, na verdade. Seja andar, correr, pular corda ou jogar bola. Exercícios aeróbicos ajudam a oxigenar o cérebro. E depois de um banho e uma boa soneca você está como novo, inclusive no campo das idéias.
7 – Escreva sobre não conseguir escrever: Esse curioso método deu certo para um amigo meu. Ele passou a escrever para o bloqueio, reclamando dele, xingando, mandando o infeliz ir embora. Os textos não eram literatura muito boa, vale dizer, mas lavavam a alma. O bloqueio se tornou até mesmo um personagem recorrente na vida dele, um demoninho invisível que pesa em seu ombro direito. Vez ou outra ele até olha para o ombro e reclama com ele em voz alta, para a surpresa de quem está à sua volta.
8 – Planeje a história: Faça diagramas, resumos do que você planeja contemplar nos capítulos, escreva poemas que seus personagens escreveriam, biografias deles, mesmo que seja algo que não vai entrar na versão final. Para quem sabe desenhar minimamente, fazer storyboards da história ou desenhar os personagens pode ajudar.
9 – Escreva ALGO: Escreva palavras desconexas, frases que você gosta, coisas que alguém te disse no dia, qualquer coisa. Esse processo pode não ajudar muito no momento que você escreve, mas eu colhi certos frutos com esse método depois de um bloqueio particularmente longo, de alguns meses.
10 – Desencanamento: Nem tudo o que você poe no papel ou no silício precisa ser A Grande Obra Definidora da Sua Vida. Se conformar com alguns eventuais momentos de mediocridade vai poupar muitos cabelos brancos na sua cuca.
11 – Mande a musa às favas: Nada de ficar esperando a inspiração aparecer. “Escrever é 10% de inspiração e 90% transpiração”, diz o ditado. Não digo que você precisa ficar batendo a cabeça na parede indefinidamente, mas sente-se e sofra um pouco pelo menos todo dia que um dia a musa reaparece. Provavelmente com a cara de culpada de quem ficou aproveitando mil baladas noites afora, a safada.
12 – Música: A música pode funcionar como um bom isolante de distrações externas, particularmente as que você gosta. Parece relaxar a cabeça enquanto você olha para o texto. Eu gosto de músicas mais tranquilas, mas alguns escritores escutam coisas mais pesadas. Stephen King, por exemplo, disse em uma entrevista que escreve ouvindo bandas como Metallica e ACDC em um volume altíssimo.
13 – Uma palavra depois da outra: Essa foi a sugestão que a patroa me deu uma das muitas vezes que eu fui reclamar da vida porque estava bloqueado. “Escreva uma palavra. Agora escreva a próxima. Agora a próxima. Repita até terminar o texto e me deixe em paz”. E quer saber? Não é que o negócio funcionou!
Mesmo sendo mais relacionado com ficção, decerto algumas dessas dicas podem ajudar jornalistas, particularmente na criação de crônicas. Sintam-se livres para postar suas sugestões pessoais nos comentários.

Vlw...
J. Henrique

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