Trecho Demônios em Alcantú - O Demônio Jonas

18 de março de 2011

TRECHO DEMÔNIOS EM ALCANTÚ - 
O DEMÔNIO JONAS

Mirella caminhava a passos curtos por causa da saia que quase se arrastava no chão. Havia acabado de sair da igreja. Usa um terninho azul marinho por cima da blusa branca de seda. Carregava um livro grosso de baixo do braço e caminhava firme olhando para o chão. Estava em uma rua mal iluminada. Era tarde. Precisava chegar logo em casa. Tinha que acordar cedo no outro dia, pois trabalhava de doméstica em uma casa não muito distante da sua.
Cantava baixinho uma música da sua igreja e nem percebeu o homem trajando roupas pretas escorado na parte escura do muro do colégio, apenas admirando a lua.
Um barulho lhe chamou a atenção. Alguém estava vindo. Cantava uma música bem baixinho, se não fosse sua audição superior não teria ouvido. Tinha uma bela voz, era uma garota. Estava entretida em sua cantoria que nem percebeu que ele a admirava. Era tão linda. Tinha a pele clara e cabelos castanhos muito bem cuidados. Os lábios rosados moviam-se lentamente enquanto cantava com sua voz angelical.
Ele não se conteve. A muito não via uma garota bonita como aquela e há muito mais tempo não fazia o que mais gostava. A garota parecia ser boa pessoa, mas ele não tinha culpa dela escolher justo àquela noite para cruzar seu caminho com o dele. Tanto tempo sem sentir os prazeres do mundo. Não iria se conter, não mesmo.
Deu um passo em direção à rua, esquecendo-se completamente da lua. A jovem não estava longe. Com dois passos estava ao lado dela. De início não percebeu a presença dele. Ele ainda a admirava.
— Olá, bela moça! O que faz sozinha na rua uma hora dessas? – O tom de voz era convidativo e sensual.
Mirella tomou um susto. Não tinha visto o jovem se aproximar. Nossa! Como era lindo. Rosto largo, cabelos negros bem curtos e olhos negros e brilhantes. A pele era morena, mas um pouco estranha, parecia pálida. Talvez fosse o brilho da lua. Ela sorriu. Embora não o conhecesse já estava acostumada com isso. Podia ser um maluco, mas era tão lindo. Não existiam pessoas com más intenções em Alcantú. Ao menos não até aquela noite.
— Oi. Minha casa é logo ali. - De fato não estava longe de casa, mas se caso fosse precisa entraria na primeira casa que encontrasse. — E você quem é?
O jovem sorriu. Tão fácil. Esperava um pouco mais de dificuldade, mas já sabia que o mundo há muito tempo não via mal igual a ele.  Já esperava que todos estivessem despreparados.
— Sou Jonas.
Mirella encarava o jovem, vislumbrada com sua beleza. Jonas apenas esperava o momento certo. A hora de fazer o que nasceu para fazer, o que fazia de melhor. Não aguentava mais esperar para matar a sua vontade.
— Alguém a espera em casa, minha jovem?
Mirella estranhou a pergunta. Que atrevimento! E que jeito de falar era aquele? Tão sedutor. Mirella precisava se controlar. Nem conhecia aquele tal de Jonas.
— É claro que alguém está me esperando! Minha mãe, meu pai e meu irmão. Por que está perguntando isso? – Mirella estava exaltada.
Jonas sorriu.
— É uma pena, pois você não vai voltar para casa hoje.
Os olhos de Jonas ganharam um estranho brilho acinzentado. O corpo de Mirella estremeceu por completo. Aquilo não era um bom sinal. Sentiu uma força estranha envolver seu corpo e no instante seguinte foi arremessada contra o muro do colégio, ficando presa ali. No outro segundo Jonas estava colado ao corpo dela, falando-lhe ao ouvido.
— Você é uma jovem muito linda, sabia? É uma pena ter cruzado meu caminho esta noite.
— O que você quer? Por que esta fazendo isso?
Mirella estava entrando em pânico. Lágrimas rolavam por sua face. O que aquele estranho homem ia fazer com ela e como estava mantendo ela presa naquele muro? Tentava se mover, mas seu corpo parecia estar amarrado. Teve medo, muito medo. Só conseguia pensar no pior para o fim daquela situação. Lágrimas rolaram mais uma vez. O homem sorria com prazer. Meu Deus! Quem era aquele cara? – os pensamentos da jovem gritavam.
— A pergunta é o que eu sou, pois quem sou eu já lhe disse.
Mirella encarou Jonas com um semblante de medo. O rosto manchado pelas lágrimas que insistiam em continuar rolando. Jonas acariciou a face dela limpando as lágrimas e beijou-lhe levemente.
— Sou um demônio, linda jovem. Um demônio que a muito não caminha sobre a terra, mas acredite, em breve todo o mundo conhecera o meu nome e o de meus irmãos, pois não caminho sozinho. Sorte a sua eu ainda não os ter encontrado.
Os olhos de Jonas emanavam um brilho acinzentado. Ele retirou um pequeno punhal de cabo de osso das vestes negras. A lâmina refletiu o brilho da lua na face de Mirella e com um único golpe Jonas abriu-lhe a garganta. O corpo de Mirella tombou ao chão.
Mirella sentiu a lâmina atingir sua garganta. No outro instante estava no chão. Jonas não estava mais ali. Sentia o sangue quente jorrar pelo grande ferimento que o demônio lhe havia feito e, junto podia ver sua vida se esvaindo sem que ela pudesse fazer algo para impedir. Aos poucos a visão começava a ficar turva. O fim estava próximo. Nem lutar ela tentava mais, fora deixada para morrer e era isso que estava acontecendo. Sem opções fechou os olhos e abraçou a escuridão para sempre.

Comentários 2 Comentários:

Adrielli disse...

De mais! Não vejo a hora de ler esse livro! Mto bom! Parabéns Pelo seu talento João! *-*

18 de março de 2011 15:15
Anônimo disse...

Cara, muito foda... Demais!!!

17 de dezembro de 2011 21:28

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